Se o tempo me tomar você.
nevou:
Se o tempo me tomar você,
darei um jeito de tomar tempo,
pra gastar o pouco tem que tenho
te contando o que fiz em tanto tempo.
Se o tempo tentar te levar,
faço como Amarante:
sigo essa hora,
e pego carona.
Se o tempo tentar te roubar,
e eu não conseguir acompanhar,
não sei o que será: tristeza ou desespero…
E confesso que, sem dúvida alguma
se o tempo me tomar você,
terei que ficar aqui, tomado de saudade.
João, 60 Mil Anos
“Eu quero ter paz. Quero ter equilíbrio. Ter força. Ter você. Me irrito com você, me estresso, perco a cabeça. Tudo isso pelo simples fato de você ser de uma forma que eu não consigo conceber. Prático. Simples. Racional. Fácil. Eu sou confusa e complicada e irracional e difícil e complicada de novo.”
—
Clarissa Corrêa. (via
nevou)
“Queria você.
aqui comigo
me dando carinho,
os seus abraços.
os seus beijos,
os seus sorrisos bobos ,
suas palavras que me faziam sorrir.
Só queria mais de você,
de nós.”
—
Fernanda Gomes. (via
nevou)
“Não precisava ser assim. Não precisava doer como dói. Eu não podia apenas sorrir quando me lembrasse de você? Mas acontece tipo assim: lembro do seu rosto, do seu abraço, do seu cheiro, do seu olhar, do seu beijo e começo a sorrir, é assim mesmo, automático, como se tivesse uma parte do meu cérebro que me fizesse por um instante a pessoa mais feliz do mundo. Eu sei, é lindo. Mas logo em seguida, quando penso em quão longe você está sinto-me despedaçar por inteira. E dói. Uma dor cujo único remédio é a sua presença.”
“Era loira, de pernas longas dentro de um short de brim, dois olhos azuis-claros bem pequeninhos, parecia uma sueca ou holandesa ou algo assim. Tinha sardas no rosto afável, o nariz meio batatudinho enfeitado uma argolinha delicada e algumas gordurinhas simpáticas saíam para fora da blusa. A bolsa de pano, os tênis sem meia, o cabelo amarrado, uma medalhinha prateada, que deve ter ganho da mãe aos quinze. Quando o rapazinho com uma touca estilo Alberto Roberto completou meu almoço com o cone de batatas fritas, peguei minha bandeja e me alcei para a mesa mais perto. Você sabe, eu ia comer sozinho e só queria uma vista agradável. Me acomodei, abri a caixinha do sanduíche e despejei as batatas fritas na parte superior dobrada, como faço sempre, quando não muito raramente venho aqui. Nós estávamos numa daquelas franquias multinacionais que anunciam seus hambúrgueres minúsculos na televisão o tempo todo. O lugar não estava muito cheio. Foi então que um pequeno sujismundo, operário do semáforo próximo ao arroio lateral, veio de mesa em mesa: – Tio, paga um lanche pra mim? Ô, tia, paga um lanche pra mim? Paga uma batatinha pra mim, tio? Antes da minha vez – que alívio –, um guardião antissocial uniformizado o convidou por bem a se retirar, e todos nós do saguão deixamos de lado o nosso constrangimento e voltamos para as nossas refeições de vinte reais com refrigerante à revelia, para o nosso lanche feliz. Total clima de propaganda no intervalo da novela. Foi quando a moça largou tudo, bolsa e comida e telefone, para uns minutos depois voltar com o garotinho à tiracolo. Foi até o caixa, dialogou, estendeu um Visa, retornou, assentou o faminto no banco fixo à sua frente. Pretinho, careca, chinelo de dedo, uma camiseta amarela meio Charlie Brown tamanho grande, bem maior do que ele. Chamando atenção, tímido e apreensivo, devorando seu big-ultra-mega-hiper-super-com-molho-especial. A cara da sociedade derreteu. O sorriso baixo-burguês morreu. O segurança intercedeu: – Eu não tinha te botado pra fora? “Ele é meu convidado”, ela disse. O grandalhão retrucou “Lamento minha jovem, mas ele não pode ficar aqui”. Bem seca e discreta e impassível, ela teimou com olhos de escopeta: “Se você não nos deixar em paz, eu faço uma gritaria”. Ela não fez nenhuma gritaria. Paz no mundo. E todos nós, que não pensamos nisso que ela pensou em fazer, e se pensamos jamais teríamos coragem de executar o plano, podemos comer à vontade, nos sentindo do tamanhozinho dos nossos hambúrgueres ridículos. E olha que isso já faz algum tempo, não era dezembro, nem tinha clima pra Natal.”
— Gabito Nunes em A mãe dos meus filhos (ou “Um conto de Natal”)
“Sem medos
Sem angustias
Sem falsas expectativas
Com muita esperança
Com muito amor
Com muita calma
Com muito querer”